Ela comia restos de lixo na calçada. Eu ia dar um lanche para ela, mas meu mentor sussurrou: "olha o nome da placa nesta rua".
Eu caminhava pela avenida movimentada, sentindo a brisa no rosto.Havia acabado de sair do Centro Espirita e, com algum tempo livre antes da palestra da noite, decidi ir a pé até uma cafeteria próxima para organizar meus pensamentos. Eu me sentia leve, grato pela oportunidade de servir à doutrina.
No entanto, enquanto aguardava o sinal de pedestres fechar para atravessar, uma cena brutal quebrou minha serenidade.Do outro lado da rua, uma mulher revirava um caixote de lixo.
Nao era apenas uma "moradora de rua"; era imagem da completa miséria. As roupas eram trapos irreconhecíveis e a pele estava marcada por feridas expostas. Meus olhos fixaram nas mãos dela. Com uma delicadeza que contrastava com a sujeira ela separava o que parecia ser "lixo podre" do "lixo comestível". Vi quando ela limpou uma casca de fruta com a manga da blusa encardida e a levou a boca.
Aquilo feriu minha alma. A tranquilidade que eu trazia do centro espírita se desfez. Entrei na cafeteria, pedi meu café, mas quando sentei a mesa, senti um nó na garganta.olhava para a xícara fumegante e para o vidro da janela, vendo aquela filha de Deus disputando comida com as moscas.
"Senhor", pensei, em um questionamento silencioso e doloroso."Como explicar tanta dor? Onde está a misericórdia vendo um ser humano nessa condição?
Foi nesse momento que o ambiente ao meu redor apareceu mudar. O ruído das conversas na cafeteria ficou distante. Senti uma vibração familiar, uma paz que não vinha de mim. Ao meu lado, percebi a presença do meu mentor espiritual. Ele não se sentou, permaneceu em pé, olhando fixamente para a mulher lá fora.
— A imagem te entristece, meu amigo? Ele perguntou, sua voz ecoando em minha mente com sua suavidade.
— Estou desolado — respondi mentalmente. - - Penso em ir lá levar algo decente para ela comer.
O mentor tocou meu ombro sutilmente disse: —
- A caridade é nobre, mas ela não aceitaria. O orgulho dela, mesmo escondido sob a miséria, ainda é uma barreira intransponível.
— Orgulho? — Questionei. — Ela está comendo do lixo!
— O que você vê é apenas a casca atual. Permita me mostrar a essência.
Ele estendeu a mão em direção à rua e, no instante, minha vidência se ampliou. A imagem da mulher mendiga se desfez como fumaça. No lugar dos trapos, vi um terno impecável de linho branco. No lugar da senhora curvada, vi um homem. Um político influente de décadas passadas.
Vi cenas rápidas, mais claras: ele em palanques, sendo aplaudido, com o poder da caneta na mão. Mas vi também o que ficava oculto: verbas desviada, hospitais sucateados por ganância, famílias despejadas para obras de fachada. Aquele espírito, em sua vida anterior, viveu cercado de luxo, indiferente à miséria que suas decisões criavam.
A visão mudou para o plano espiritual. Vi o despertar dele após a morte. A consciência livre das ilusões da matéria, tornou-se seu juiz implacável.Ele via o sofrimento de cada pessoa afetada por sua gestão. A culpa queimava mais que fogo.
"Eu preciso reparar!", ele implorava aos benfeitores espirituais. "Me deixem renascer onde eu nada tenha. Quero conhecer a dor que ignorei. Me deem a miséria para que eu aprenda o valor da dignidade!"
Voltei a mim, na cafeteria, segurando a xícara com as mãos trêmulas. Olhei novamente pela janela e a mulher continuava lá.
- E a reencarnação dele — confirmou o mentor. — O espírito pediu a prova da extrema carência para curar doença da vaidade.
Respirei fundo, tentando assimilar a lição da justiça divina.
— Mas… por que aqui? Por que justo nessa avenida tão movimentada?
O mentor sorriu com misto de compaixão e seriedade, apontando para a placa azul na esquina, logo acima de onde a mulher estava.
— Leia o nome da rua.
apertei os olhos e li: Avenida Governador {sobrenome do político}
. Um calafrio percorreu minha espinha.
— O magnetismo da culpa é uma força poderosa — explicou o nentor. — Ela perambula todos os dias na avenida que foi batizada em sua própria homenagem no passado.
— Ela come lixo… Na avenida que leva o seu nome?
— Ela vive o reverso da medalha no palco da sua antiga glória. Nada disso é castigo, meu amigo. E a lei de Causa e Efeito, pedagógica e justa. É a alma requisitando o local de seus erros para, na dor, encontrar Redenção.
O mentor começou a se afastar, deixando uma última reflexão:
-Não chore revoltado. Ore. O prato de comida alimenta o corpo por algumas horas, mas a sua vibração de amor e prece pode aliviar a alma dela, que carrega um fardo secular.
Naquele dia, deixei o café intocado. Saí da cafeteria, olhei para a placa com o nome do político e depois para a mulher.Fiz uma prece silenciosa, profunda e sincera. Pedi que ela tivesse forças para sua jornada Redentora.
Segui meu caminho para palestra com o coração transformado, lembrando-me de que a vida é um eco perfeito: o que gritamos para o mundo hoje, a vida nos devolve amanhã.
Relato do orador José Raul Teixeira.
Os ensinamentos de Jesus e os seus seguidores : Allan Kardec, Leon Denis, Dr Bezerra de Menezes, Emmanuel e Chico Xavier __________ "Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação,__ hábitos,__ trabalhos,__ ocupações fúteis.______ Ide e pregai: os Espíritos elevados estão convosco."______ Erasto, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 20 - Os Trabalhadores de Última Hora - Missão dos Espíritas.
domingo, 21 de dezembro de 2025
quarta-feira, 22 de maio de 2024
TODOS PODEMOS AJUDAR
A caridade não é trabalho exclusivo daquele que se encontra temporarimente detido na abastança material.
É , sobretudo, amor, auxílio, doação de si mesmo.
Todos podemos ajudar.
Se és rico de saúde, não te esqueças da palavra e estímulo ao doente.
Se a cultura intelectual te felicita o raciocínio, não olvides o irmão que reclama o teu concurso para melhorar-se.
Se possuis a fé, ajuda ao deserente, dando-lhe o testemunho de tua renovação espiritual.
Se recebeste o dom da alegria, não te esqueças do triste e ampara-o, a fim de que se reerga no caminho da esperança.
Cada qual pode ser rico na posição em que se encontra
Se o homen de grande expressão financeira pode ser o rico de ouro terrestre, o homen pobre de recursos materiais pode ser o rico
de talentos do espírito.
O doente pode ser rico e paciência e coragem, tanto quanto a pessoa de excelente saúde pode ser rica de bondade e cooperação.
O homen maduro pode ser rico de tolerância e carinho. O moço pode ser rico de disciplina e boa vontade.
A penúria só existe onde a preguiça e a ignorância dominam.
Procura a tua fortuna e espalha-lhes as bênçãos .
A vida te compensará infinitamente, cada gesto de amor que fixares na alma dos semelhantes, auxiliando-os de algum modo.
Deus é o Nosso Pai de Ilimitada Misericórdia, mais também de Infinita Riqueza.
Na condição de seus filhos, distribuamos os recursos que a vida nos empresta, em Seu Nome, covencidos de que o Céu nos retribuirá,
sempre, de conformidade com as nossas próprias obras.
Emmanuel
Do Livro: Mão Marcadas, IDE
Psicografia : Francisco C Xavier
domingo, 31 de março de 2024
NOS CÍRCULOS DA MATÉRIA
Superando as vulgaridades que lhe assinalam a romagem na carne, o Espírito reconhece a sua posição de internado nos círculos da matéria que, a seu
turno, e´simplesmente o conjunto das vidas inferiores, suscetível de ser examinado pela nossa capacidade de apreciação.
Em seus múltiplos estados, a matéria é força coagulada, dentro de extensas faixas dinâmicas, guardando a entidade mental de tipos diversos, em seu longo roteiro evolutivo.
Corpos sólidos, líquidos, gasoso, fluidos densos e radiantes, energias sutis, raios de variadas espécies e poderes ocultos tecem a rede em que a nossa consciência se desenvolve, na expansão para a imortalidade gloriosa.
O homem é gênio divino em aperfeiçoamento ou um anjo nasciturno, no grande império das exigências microscópicas, em cujo âmbito é escravo natural das ordenações superiores e legítimo senhor das potências menores.
Em torno dele tudo é movimento, transformação e renovação. No seio multifário da natureza em que se agita, tudo se modifica no embate turbilhonário das energias que lhe favorecem a experiência e a ascenção. (....)
A energia mental, é o fermento vivo que improvisa, altera, constringe, alarga, assimila, desassimila, integra, pulveriza ou recompôe a matéria em todas as dimensões.
Por isso mesmo, somos o que decidimos, possuímos o que desejamos, estamos onde preferimos e encontramos a vitória, a derrota ou a estagnação, conforme imaginamos.
A história da Criação, no livro de Moises, idealizando o Senhor diante do abismo, simboliza a força da mente e perante o cosmo.
"Faça-se a luz - determinou a Divina Vontade - e a luz se fez sobre as trevas".
Por nossa vez, cada dia, proclamamos com as nossas idéias, atitudes, palavras e atos: "Faça-se o destino!" E a vida nos traz aquilo que dela reclamamos.
Os acontecimentos obedecem às nossas intenções e provocações manifesta ou ocultas.
Encontraremos o que merecemos, porque merecemos o que buscamos.
A existência, pois, para nós, em qualquer parte, será invariavelmente segundo pensamos.
Emmanuel
Do Livro: Roteiro. FEB
Psicografia: Francisco C. Xavier
domingo, 17 de março de 2024
NÓS E OS OUTROS
Buscamos o pão para a nossa mesa, mas esquecemos que nossas mãos podem estender aos famintos o alimento que igualmente lhes falta.
Procuramos o agasalho que nos aqueça nas noites de frio, todavia, olvidamos que existem outros corpos, iguais aos nossos, expostos aos mesmos
rigores do tempo.
Afligimo-nos para que não falte escola para nossos filhos, entretanto, não nos comovemos ante as inúmeras crianças vencidas pela ignorância e às
quais as primeiras letras concorreriam para a libertação das sombras que as ameaçam.
Choramos a perda dos entes amados e, fixados em nossa dor, não nos preocupamos em consolar os que se encontram em idênticas aflições.
Desejamos que a bondade de Deus nos socorra as mínimas necessidades, inquietando-nos quando a solução de nossos problemas nos parece demasiadamente distante; contudo, tardamos em atender as questões que inquietam os corações que para nós apelam em última instância.
Julgamos-nos esquecidos pela Misericórdia Divina e não nos dispomos a ser instrumentos dessa mesma Misericórdia junto aos que vivem sós, abandonados e tristes.
No entanto... no dia em que o Reino de Deus se manifestar através de nossas mãos, de nossa palavra, de nosso olhar na direção dos que sofrem, então segundo Jesus, ele estará dentro de nós e a luz que dele se irradia iluminará não só os caminhos alheios, mas, igualmente, os nossos próprios caminhos.
As bênçãos semeadas por nossa boa vontade suprirão, também, as nossas necessidades.
As palavras de consolo que oferecemos soarão, primeiramente, aos nossos próprios ouvidos; o pão repartido se multiplicará; a veste agasalhante
aquecerá primeiro as nossas mãos...
Repartir, doar, oferecer, canalizar, estender, desdobrar, conduzir e esclarecer são verbos de luz que, conjugados, nos abrirão as portas para as
realizações com Jesus.
Ninguém solucionará seus problemas, ninguém alcançará as metas desejadas, se não aprender a conjugar esses verbos divinos, os quais consolidam a Lei de Misericórdia, sob a qual desejamos estar sempre abrigados.
Busquemos, assim, as riquezas do Reino de Deus, multiplicando-as em torno de nossos passos, portanto é desse mesmo Reino que virá tudo o que nos será dado por acréscimo.
Ouça quem tem ouvidos de ouvir! (Mateus, 13:43)
Icléia
Do Livro: Evangelho e Vida. Lar de Tereza
Psicografia: Brunilde Mendes do Espírito Santo
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
ITENS DA IRRITAÇÃO
Enquanto no clima de serenidade, consideremos que a irritação não é recurso de auxílio, sejam quais sejam as circunstâncias.
O primeiro prejuízo que a imteperança mental nos impõe é aquele de afastar-nos a confiança dos outros.
A cólera é sempre sinal de doença ou de fraqueza.
As manifestações de violência podem estabelecer o regime do medo, ao redor de nós, mas não mudam o íntimo das pessoas.
Sempre que nos encolerizamos, complicamos os problemas que nos preocupam ao invés de resolvê-los.
O azedume que venhamos a exteriorizar é, invariavelmente, a causa de numerosas pertubações para os entes queridos que
pretendemos ajudar ou defender.
Caindo em fúria, adiamos comumente o apoio mais substancial daqueles companheiros que se propõem a prestar-nos auxílio.
A cólera é quase sempre a tomada de ligação para tramas obsessivas, das quas não nos será fácil a liberação precisa.
A aspereza no trato pessoal cria ressentimento, e o ressentimento é sempre fator de enfermidade e desequilibrio.
Em qualquer assunto de apaziguamento e aprendizado, trabalho e influência, aquisição ou simpatia, irritar-se contra alguém
ou contra alguma cousa será sempre o retrocesso inevitável de perder.
Emmanuel
Do livro: Meditações Diáricas, IDEr>
Psicografia: Francisco C. Xavier
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